domingo, 29 de março de 2015
Review: Prototype 2
Um dos jogos que mais me diverti quando tinha o PS2 e que infelizmente vi poucas pessoas realmente apreciar foi Hulk – Ultimate Destruction, da Radical Entertainment. Era um jogo estilo sandbox em que você era ninguém menos que o motherfucking Hulk, com direito a ter upgrades liberados a partir de orbs que você ia coletando dependendo de quanta destruição você fazia e quantos inimigos destruía.
Daí, anos depois, este estúdio resolveu levar os conceitos que aprenderam com Hulk para a nova geração com Prototype, um jogo que você era o protagonista mais chato de todos os tempos que permitia você consumir uma velhinha, se disfarçar usando a aparência dela e dar voadoras em helicópteros. Era um jogo “legal”, com o gore usado de forma tão exacerbada que passados 10 minutos de jogatina você está dessensibilizado com qualquer tipo de desmembramento exibido na tela.
Em comparação ao jogo do Hulk, eu sempre achei Prototype bem inferior. Não tinha nada de impressionante graficamente, a cidade de Nova York mostrada no game parecia ter 5 táxis para cada habitante e em geral o game era meio repetitivo, com missões que consistiam apenas de enfrentar militares DUMAL que mal aguentavam um soco e algumas criaturas infectadas que mostravam ser um certo desafio. Entretanto, surpreendentemente, a evolução do personagem principal (Alex Mercer) culminava com ele percebendo que não se tratava realmente de Alex Mercer, e sim do próprio vírus que resolveu assumir aquela identidade e memórias porque foi a primeira pessoa que dominou.
Já em Prototype 2, há uma nova epidemia e um novo protagonista: James Heller. Um soldado negão mothafucka que resolveu substituir todas as vírgulas que teriam na sua fala pelas palavras “bitch”, “motherfucker” e “shit”. Ou seja, um Samuel L. Jackson wannabe. Ah sim, nesse jogo, o vilão é o protagonista do jogo anterior, Alex Mercer, que dá os poderes ao novo protagonista depois deles se encontrarem e James Heller tentava matá-lo com uma faquinha. Eu não sei se vocês concordam mas tentar matar com uma faquinha um cara que tem uma lâmina gigante que vai do ombro até os dedos não parece ser a melhor das ideias.
A cidade de Nova York é dividida em três zonas: Verde, Amarela e Vermelha.
Verde: “Olá caro cidadão, pode seguir tranquilamente com sua vida que as chances que um monstro gigante apareça e faça um colar com seus órgãos internos”.
Amarela: “Pode ser que você cruze com um ou outro zumbi no caminho para o trabalho, com o eventual monstro carniceiro que consegue saltar prédios num único salto lhe perseguindo. Quase uma segunda-feira”.
Vermelha: “TEM INTESTINOS BROTANDO DOS PRÉDIOS”.
O jogo segue uma fórmula parecida com o anterior, com um certo foco no deslocamento pela cidade usando as habilidades que você consegue destravar acumulando pontos de experiência (que são dados para cada inimigo que você mata) quanto realizando diferentes tarefas pela cidade, como achar caixas-pretas com mensagens gravadas entre soldados ou desmontar operações de campo matando todo mundo que estiver marcado. Também tem missões opcionais que podem ser iniciadas quando você consome algum soldado que estava envolvido com essa missão e consegue ver pelas memórias dele o briefing dessa missão OU acessando um terminal móvel.
Em geral, o jogo diverte mas nunca os soldados normais conseguiram ser uma ameaça, mesmo quando chegam reforços com helicópteros equipados com mísseis e metralhadoras. Na realidade, quando chega um helicóptero e você tem a habilidade de tomar as armas dele ou até mesmo de pilotar o helicóptero, você faz é achar bom. Na realidade, os inimigos humanos são verdadeiras pombas lesas. Não conseguem perceber que alguém do seu lado foi consumido, desde que quando você checou no momento que ia consumir o alvo estava “branco” (isto é, sem ninguém vendo). Na realidade, você só entra em conflito se realmente quiser, já que ninguém nunca nota seu disfarce e ser detectado é preciso você praticamente fazer crescer do seu braço um tentáculo gigante para eles ficarem no mínimo desconfiados. Ou seja, I.A. desse jogo não é a mais brilhante.
Já contra os infectados, o negócio muda de figura. Você DEVE esquivar ou usar seu escudo para se proteger dos ataques ou será muito facilmente morto. E neste jogo os inimigos tentam mesmo te cercar e não tem problemas em vários deles te atacar ao mesmo tempo, além deles serem mais variados. Os Brawlers são mais rápidos e utilizam garras para atacar, enquanto os Juggernauts (acho que era assim o nome desses bichos) usam os seus braços como marretas. Mais a frente no jogo você começa a lidar com os Evolved, seres humanos que foram infectados pelo Alex Mercer para te enfrentar que são bem mais ágeis e possuem diferentes habilidades, como implantar em você uma bio-bomb e chamar outros monstros, além de serem bem rápidos. Finalmente, tem o Goliath mas esse bicho você só enfrenta umas 3 vezes (incluindo side-missions) e toda luta com ele é seguir o mesmo padrão.
Aliás, “seguir o mesmo padrão” é a ordem deste jogo. O que eu escrevi acima é TUDO O QUE VOCÊ IRÁ FAZER NO JOGO. Com a desvantagem que por algum motivo, dar voadora nos helicópteros ficou mais difícil.
Entretanto, queria comentar rapidamente do final do game que eu realmente... gostei! Não quero dar spoiler, mas com a quantidade absurda de chefes estilo QTE que vemos nos jogos ultimamente e que raramente fazem você usar todas as habilidades aprendidas, é bom ver um jogo que faz você realmente usar as armas que ele te dá durante o game no final. Além disso, mais lutas precisam ter alguém gritando “You bitch ass nigga” enquanto surra outra pessoa.
Apenas fico triste em saber que, poucos meses depois que Prototype 2 foi lançado, a Radical Enterteinment foi fechada pela Activision, mesmo o jogo vendendo relativamente bem. Vão lá no site deles e vejam quantos outros jogos ela fez desde 1991 e percebam como ela teve sua importância na história dos games.
Enfim, pra finalizar, peguem esse game se estiver custando uma mariola. Ou de graça, como peguei na plus. Mas a jogatina até que vale.
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